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A primeira Casa de Pasárgada foi a Casa Popular (CP), fundada por Borrás, Almeida e Schüller. A CP organizou-se com base na amizade e seu programa ideológico era um caldo que misturava da democracia direta ao igualitarismo. Em junho de 2001, Carrion e Luciana fundariam a Casa Sem Fronteiras (CSF), com um programa alternativo, voltado para a arte, a inovação e um projeto de "urbanização", da cidade-estado.

Mas foi a Coração Pasárgado que delineou a vida política da micronação. Apareceu em setembro de 2001, constituída por Figueira, Cava, Fraga, Pagel e Ghenov. Rapidamente ingressaram os irmãos Dias, o casal Ballestero, a Silvia, o Fausto. Ao contrário do amadorismo da CP e da CSF, surgiu com site, manifesto (algumas páginas), estatuto e sistema de filiações e propaganda.

Pregava o anti-virtualismo, o compromisso sério, a democracia parlamentar (indireta) e a multiplicação de cargos e instituições como patrocínio da atividade. Tanto o Borrás (primeiro) quanto o Carrion (segundo) viriam a integrar os quadros da Casa. Absorveu a maioria dos postulantes do final de 2001 e início de 2002 e não a toa tornou-se hegemônica.

A CorPas era tão forte no início do governo Carrion/CorPas que não havia propriamente uma "vida política", mas o monopólio coração sobre os rumos da micronação. CP e CSF não resistiram e foram ultrapassadas. A crise de agosto, dentre outros fatores, também teve um fundo partidário, na medida em que a minoria não-CorPas sentiu-se isolada e com a voz suspensa pelo rolo-compressor dos corações. Todos que rumaram para Andorra não pertenciam à CorPas.

Em set. 2002, a CorPas viu-se como herdeira solitária do legado pasárgado e teve como primeiro desafio dar nova ignição às engrenagens políticas da micronação. Percebeu que a democracia plural somente teria caminho se fosse promovida uma segunda Casa, que foi a Casa Mundo Pasárgado, que encontrou em Lunardi, Arantes, Manuela e o próprio Figueira (saído da CorPas) os primeiros filiados. Igor Ravasco viria aderir um pouco mais tarde, após deixar a Chancelaria.

Da necessidade de fortalecer uma segunda via, explica-se o apoio que a CorPas deu à CMP para formar seu primeiro governo, o "Governo de Consenso Nacional", encabeçado pelo Lunardi (sucessor do Carrion). Nessa época, encetou-se um trabalho de reconstrução da micronação em alcance político, cultural e social, conhecido por Revolução Pasargadista. O clima de civilidade e a unidade em torno de uma Nova Pasárgada motivaram os pasárgados a um boom de atividade.

Mesmo com o governo CMP, a CorPas mantinha-se claramente dominante. Se de um lado formou-se o primeiro núcleo mundista, de outro a CorPas não parou de recepcionar bons micronacionalistas: Caires, Selke, Ritta, Olympio, Sales e, já em 2003, Livio, Amanda, Favaro e os irmãos Siqueira. A CorPas fez então três governos consecutivos, um com o premiê Caires à frente (dez02/mar03) e dois com Bruno Cava mar03/dez03).

Foi nessa fase de predomínio da CorPas que a democracia pasárgada ofereceu um exemplo de oposição democrática, que foi a "CMP madura", sob direção intelectual de Alvarenga, Vidal e Leni, sem falar no eficientíssimo diretório de filiações com a Danielle. Fez uma oposição inteligente e construtiva; por mais que a tensão aproximava-se das brigas, não houve nem golpe de estado e nem abandono para Mallorca.

Desgastada por tantos meses no poder e muito inchada, a CorPas começou a desfaceler sobre o peso das próprias contradições. Perdeu membros sucessivamente, Selke e Caires para o Conselho, Sales para a CMP, Ghenov e Silvia para a CLP (Cooperativa Livre de Pasárgada, Casa que não vingou) e Pagel, Gabriel e Harris para a FNP (Força Nacionalista Popular, durou poucos meses).

Em dezembro de 2004, a CMP virou a mesa e tornou-se maioria, formando o governo "Pasárgada para Todos" (dez03/mar04), liderado por Alvarenga. Um governo excepcional, de nova tendência, investindo em cultura, abrindo a micronação para o turismo intermicronacional. A CorPas ainda encenou uma reciclagem, reorganizando-se para disputar novamente o poder em março de 2004, mês eleitoral.

Foi quando Felipe Aron, da minoritária e recém-fundada AFP, chegou ao poder aliado à CMP. Ao longo do governo, inverteria a aliança para a CorPas. Brigaria com ambos os partidos, ainda que tenha encontrado na CMP a oposição mais crítica e insistente; ele faria propostas insólitas. O governo despencou junto da personalidade de seu líder, Felipe Aron, após a moderação de um turista mallorquino e a alteração do cabeçalho oficial. Aqui eu vejo o primeiro rompimento da cultura política pasárgada, ultrapassando os limites democráticos. O resultado final foi lamentável: 5 pasárgados rumariam para Marajó (Sales, Pataxó, Rabelo, Cyranka e Aron). Os dois últimos retornaram meses depois e Sales jogaria tudo para o alto por lá para se dirigir à Reunião, onde galgaria cargos.

Entendo que o sistema de Casas sofreu um abalo considerável nesses troca-trocas e brigas em torno do Aron, mas o golpe de misericórdia viria depois, com o segundo e mais breve governo Aron, em que a política nacional desceu ao absurdo, com um premiê que pregava um discurso obtuso e ininteligível, defendia a secessão de um cantão comunitário e pregava a queda da "direita conservadora".

Some a este cenário a ação objetiva e persistente do Movimento Mãe-Joana, de Benedetti, Leonardo e Moko, e se tem a total perda de credibilidade das Casas. Estas não reagiram, pelo contrário, entregaram-se à apatia, à ataraxia. A CorPas perdeu mais membros, Cássio se desfiliou, Siqueira rumou pra Reunião, Pagel renunciou à cidadania. A CMP esboça tímida reação. A AFP sucumbiu depois das desfiliações sucessivas de Cruz, Erick, Victor e Cyranka.

Novos pasárgados de destaque preferem não se filiar: Marisa, Moko, Adriana, Fonte... Há quem veja numa recuperação das Casas a volta da "política suja e interesseira"; que as Casas definitivamente não funcionam, só trazem brigas, abandonos e crises. Outra opinião comum é a de que chegou a hora de transladar o eixo da atividade das Casas para os Cantões.

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